O Espiritismo, aliás, não tem sua origem entre os homens, pois é obra
dos Espíritos, aos quais não se os pode nem queimar, nem prender. Ele
repousa na crença individual e não nas sociedades, que de nenhum
modo são necessárias.
Se viessem a destruir todos os livros espíritas, os Espíritos os ditariam
de novo.
Em resumo, o Espiritismo é hoje um fato consumado; ele conquistou
seu lugar na opinião pública e entre as doutrinas filosóficas. É preciso,
pois, que aqueles aos quais não convém, disponham-se a vê-lo ao seu
lado, ficando perfeitamente livres para não aceitá-lo.
O Espiritismo responde que
ele não se impõe a ninguém e não vem forçar nenhuma convicção.
A liberdade de consciência é uma conseqüência da liberdade de pensar,
que é um dos atributos do homem; o Espiritismo estaria em contradição
com seus princípios de caridade e de tolerância, se ele não a respeitasse.
O Espiritismo não se impõe porque, como eu o disse, ele respeita a
liberdade de consciência e sabe que toda crença imposta é superficial e
não dá senão as aparências da fé, mas não a fé sincera. Ele expõe seus
princípios aos olhos de todos, de maneira a que cada um possa formar
sua opinião com conhecimento de causa. Aqueles que o aceitam, padres
ou laicos, o fazem livremente e porque os acham racionais; mas não nos
zangamos de nenhum modo com aqueles que não são da nossa opinião.
A crença na vida futura, mostrando a perpetuidade das relações entre
os homens, estabelece entre eles uma solidariedade que não termina no
túmulo; ela muda, assim, o curso das idéias. Se essa crença fosse
apenas um espantalho, seria temporária; mas como sua realidade é um
fato adquirido pela experiência, ela está no dever de a propagar e de
combater a crença contrária, no interesse mesmo da ordem social. É
isso o que faz o Espiritismo, e com sucesso, porque dá as provas, e
porque, em definitivo, o homem prefere ter a certeza de viver feliz em
um mundo melhor, como compensação às misérias deste mundo, do
que crer estar morto para sempre.
O Espiritismo está fundado sobre a existência de um mundo invisível,
formado de seres incorpóreos que povoam o espaço, e que não são
outros senão as almas daqueles que viveram sobre a Terra, ou em
outros globos, onde deixaram seu envoltório material. São a esses seres
que damos o nome de Espíritos. Eles nos rodeiam permanentemente,
exercendo sobre os homens, com o seu desconhecimento, uma grande
influência; eles desempenham um papel muito ativo no mundo moral, e,
até um certo ponto, no mundo físico.
O Espiritismo, melhor observado depois que se vulgarizou, veio lançar
luz sobre uma multidão de questões até aqui insolúveis ou mal
compreendidas. Seu verdadeiro caráter, pois, é o de uma ciência, e não
de uma religião; e a prova disso é que conta entre seus adeptos homens
de todas as crenças, que não renunciaram por isso às suas convicções:
católicos fervorosos que não praticam menos todos os deveres de seu
culto, quando não são repelidos pela Igreja, protestantes de todas as
seitas, israelitas, muçulmanos, e até budistas e brâmanes. Ele repousa,
pois, sobre princípios independentes de toda questão dogmática.
O Espiritismo não admite os demônios no sentido vulgar da
palavra, mas admite os maus Espíritos que não valem melhor e que
fazem igualmente o mal, suscitando maus pensamentos; somente ele
diz que esses não são seres à parte, criados para o mal e
perpetuamente devotados ao mal, espécie de párias da criação e
carrascos do gênero humano; são seres atrasados, ainda imperfeitos,
mas aos quais Deus reserva o futuro.
A pluralidade das existências, segundo o Espiritismo, difere
essencialmente da metempsicose, no sentido de que não admite a
encarnação da alma nos animais, mesmo como punição. Os Espíritos
ensinam que a alma não retrograda, mas que progride sem cessar. Suas
diferentes existências corporais se realizam na Humanidade; cada
existência é para ela um passo adiante na senda do progresso
intelectual e moral, o que é bem diferente.
A palavra espiritualista, desde muito tempo, tem uma significação
bem definida; é a Academia que no-la dá: ESPIRITUALISTA é aquele ou
aquela cuja doutrina é oposta ao materialismo. Todas as religiões,
necessariamente, estão baseadas no Espiritualismo. Quem crê haver em
nós outra coisa além da matéria, é espiritualista, o que não implica na
crença nos Espíritos e nas suas manifestações.
Os Espíritos sérios não vêm senão nas reuniões sérias, onde são
chamados com recolhimento e por motivos sérios. Eles não se prestam
a nenhuma questão de curiosidade, de prova, ou tendo um objetivo fútil,
nem a nenhuma experiência.
Os Espíritos levianos vão por toda parte; mas nas reuniões sérias se
calam e se afastam para escutar, como o faria um escolar em uma
douta assembléia. Nas reuniões frívolas eles se divertem, distraem-se
com tudo e, freqüentemente, zombam dos assistentes, e respondem a
todos sem se inquietarem com a verdade.
Naquele que não quer se dar ao trabalho de estudar, há mais de
curiosidade que desejo real de se instruir. Ora, os Espíritos não gostam
mais de curiosos que eu próprio. Aliás, a cupidez lhes é, sobretudo,
antipática, e eles não se prestam a nada que possa satisfazê-la. Seria
preciso ter deles uma idéia bem errada para crer que os Espíritos
superiores, como Fénelon, Bossuet, Pascal, Santo Agostinho, por
exemplo, se colocassem às ordens do primeiro que os solicitasse, a
tanto por hora. Não, senhor, as comunicações de além-túmulo são uma
coisa muito grave, e exigem muito respeito, para servirem de exibição.
Quanto aos Espíritos
esclarecidos, eles nos ensinam muito, mas no limites das coisas
possíveis, não precisando perguntar-lhes o que eles não podem, ou não
devem, nos revelar. É preciso contentar-se com aquilo que nos dizem,
pois, ir além é expor-se às mistificações dos Espíritos levianos, sempre
prontos para responderem a tudo. A experiência nos ensina a discernir o
grau de confiança que lhes podemos dar.
Se a religião corresse um perigo qualquer, seria necessário atribuí-lo àqueles
que dela dão uma falsa idéia, transformando-a numa arena das paixões
humanas, e que a exploram em proveito da sua ambição.
LIVRO: O QUE É O ESPIRITISMO -- ALLAN KARDEC.
ESTA CASA TEM COMO FINALIDADE BÁSICA O ESTUDO E A DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA DOS ESPÍRITOS NO SEU TRÍPLICE ASPECTO, FILOSOFIA, CIÊNCIA E RELIGIÃO. ENDEREÇO: AV SARGENTO DE MILICIAS, 1344. NA RUA DO CLUBE PAVUNENSE, FUNDOS, PAVUNA, RJ (TOQUE A CAMPAINHA) CARTAS FRATERNA: ORIENTAÇÃO ATRAVÉS DA PSICOGRAFIA. TODOS OS SÁBADOS AS 18 HORAS.
JESUS DE NAZARÉ GUIA E MODELO DA HUMANIDADE.
O EVANGELHO É O NOSSO REMEDIO A FÉ É A NOSSA CURA.
O evangelho não improvisa heróis e nem relega aos anjos tarefas que devem estar em nossas mãos.
O momento é de prova? Ergue-te e aceita a vida.
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